terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mar de Espinhos

E ele olhou por todos os lados, procurando alguma ajuda. Olhou em todas as direções, procurando por alguém, qualquer um. Mas não encontrou ninguém.

Beliscou-se para ver se não estava sonhando. Estava muito bem acordado. E completamente sozinho.


Então percebeu que estivera o tempo todo sozinho. Todas as pessoas que pensou estarem do seu lado, correram pra longe, muito longe. Onde ele não podia enxergar.


Só o que viu, pelos espaços entre seus dedos, foi um chão duro e rochoso, que certamente não serviu de consolo. Andou por horas e horas, mas não saiu do lugar. Procurou por todos os lados, sem saber exatamente o que queria encontrar. Viu todos os cantos, sem realmente olhar.


E tudo o que pensou ter, se transformou em pó é foi levado pelo vento negro que anunciava a chegada da noite, o deixando sozinho no escuro, cego e perdido. Afogando-se em um mar de espinhos.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Segunda

Segunda eu saí de lá com raiva. Hoje é terça. E a raiva já passou.
Estava com raiva dela. Dos meus pais. De todo o mundo. Estava com raiva de mim e até do vento na rua. E quando fico assim, eu explodo. Só uma pessoa consegue me acalmar. E ontem, como sempre, pude contar com ela.
Isso me deixa tão feliz. Saber que alguém nesse grande monte de merda se importa comigo. É só o que eu preciso. Não ligo se o resto do mundo está pouco reparando em mim. Não preciso disso. Não preciso deles. Não os quero. E não quero que me conheçam.

E esse foi o ponto chave de ontem. Fiquei falando com ela por um tempo, explicando o porque disso tudo. Explicando que não sou assim porque quero ser diferente. Coisa de adolescente rebelde. Bleh.

Mas a raiva passou e eu continuo aqui, no meu Mundo Mudo, onde nada do que digam, pensam, blá blá blá, importa. Onde só a ele eu consigo ouvir. Onde só ele importa.

Porque é só disso que preciso.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amoras


Eu gosto de amoras. Me trazem boas lembranças. Admito que não como uma há décadas. Mas não preciso refrescar minha memória.
Eu esqueço de quase tudo. Sempre coisas importantes. Nomes, datas, eventos. Porém as coisas mais bobas são impossíveis de apagar. Como o Dia das Amoras e a trilha pra Pedra Grande. Belo nome pra uma gruta. Pedra Grande. Ainda rio disso.

Sinto saudades. Foram bons tempos, aqueles. Infância, família, união. Nunca mais vai ser assim. É inevitável: as pessoas crescem, as coisas mudam. Não importa quão amigos você e seu primo tenham sido. Um dia não vão passar de completos estranhos. E não importa o quanto você queira que tudo mude. Nada nunca mais será igual. As coisas não voltam. O passado fica no passado.

E pra isso servem as lembranças. Pra criar e matar a saudade. Às vezes são tão nítidas que parecem reais. Mas quando o sonho acaba, você percebe que foi só isso. Só um sonho. Um sonho bom, de um passado que não vai se repetir. Nunca mais.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

#1

I don't wanna be told to grow up
And I don't wanna change
I just wanna have fun
I don't wanna be told to grow up
And I don't wanna change
So you'd better give up
'Cause I'm not gonna change
I don't wanna grow up